Divisão Anatômica

DIVISÃO ANATÔMICA DO DENTE

Do ponto de vista anatômico e descritivo, o dente é formado por três partes distintas: coroacolo e raiz (figura seguinte).

coroacoloraizcoroa dentária é a porção visível e funcionante na mastigação e seu aspecto distingue-se de imediato das demais partes. Ela é brilhante e permanece acima dos ossos de suporte e gengiva (é o que a gente vê quando olhamos nossos dentes no espelho).


A fixação do dente no osso se dá através da raizem cavidades próprias (alvéolos) no interior do osso. Sua forma de ser implantada, simulando um prego encravado na madeira, fez com que durante muito tempo fosse chamada de gonfose essa relação dente-alvéolo (do grego “gonphos” quer dizer ‘prego’). Além de suas funções como elemento fixador, a raiz dentária suporta o impacto das forças mastigatórias, graças às suas relações com as paredes do alvéolo dentário através de fibras do desmodonto (tecido conjuntivo fibroso que une o dente ao alvéolo). A raiz nem sempre é única e a variação no número de raízes pode ser vista na figura abaixo.



colo é o segmento imediato entre a coroa e a raiz. É a parte mais estrangulada do dente (o sinuosidadepescoço’ do dente) e é limitado por uma linha sinuosa que se interpõe entre as duas outras partes do dente (figura ao lado).
É importante que se faça distinção entre o colo anatômico e verdadeiro do dente e o colo cirúrgico.
O primeiro (colo anatômico) representa exatamente os limites divisórios entre a coroa e a raiz, facilmente perceptível pela diferença de cor (a coroa é ‘branca’ e a raiz, ‘amarela’) e pela sinuosidade (como na figura ao lado) que apresenta em todas as faces do dente.
colo cirúrgico, nada mais é do que a porção inicial ou basal da raiz que fica sempre acima do alvéolo dentário e que, no indivíduo revestido de suas partes moles, permanece revestida pela gengiva. A retirada cirúrgica da coroa dental é feita sempre nesta parte basal da raiz, justificando plenamente o seu nome.



OS ALVÉOLOS

A figura acima mostra os alvéolos (cavidades ósseas onde se inserem as raízes) das arcadas superior (maxilar) e inferior (mandibular).
Quando o dente possuir uma única raiz esta se insere nos alvéolos
denominados unilaculares (seta vermelha 3); quando o dente possuir duas raízes, estas se inserem nos bilacunares (seta vermelha 1) e se tiver três raízes, estas se inserem nos trilacunares (seta vermelha 2).
Os alvéolos bi e tri lacunares possuem divisões ósseas internas que são os septos ósseos que separam a cavidade de cada raiz individualmente (seta verde).
A parte mais alta do alvéolo, próxima ao colo dentário, que contorna a entrada do alvéolo, chama-se crista óssea alveolar ou simplesmente crista óssea. As setas azuis apontam para duas destas cristas.


DIVISÃO ARQUITETURAL E ESTRUTURAL DO DENTE

Do ponto de vista arquitetural, e estrutural, o dente pode ser descrito com o sendo formado de quatro partes: esmaltedentinacemento e polpa (figura abaixo).

As três primeiras formações são duras, calcificadas, enquanto que a polpa é o único tecido mole do dente.



ESMALTE

Propriedades físicas

O esmalte forma uma capa protetora, de espessura variável, sobre a superfície dental da coroa (o esmalte envolve a coroa).
Nas cúspides de molares e pré-molares o esmalte tem uma espessura máxima de 2 a 2,5 mm, aproximadamente, adelgaçando-se para baixo até quase o bordo de uma navalha, aio nível do colo do dente.
Devido ao seu alto conteúdo de sais minerais e seu aspecto cristalino, o esmalte é o tecido mais duro do organismo humano.
A função do esmalte é formar uma capa resistente para os dentes, tornando-os adequados para a mastigação.
A estrutura e a dureza do esmalte tornam-no quebradiço. O peso específico do esmalte é 2,8 g/cm3.
Outra importante propriedade física do esmalte é a sua permeabilidade. Com traçados radioativos tem sido constatado que o esmalte funciona como uma membrana semipermeável, permitido uma passagem completa ou parcial de certas substâncias: uréia, etc. O mesmo fenômeno é demonstrado por meio de substâncias corantes.
A cor da coroa coberta pelo esmalte vai do branco amarelado até o branco acinzentado. Tem sido sugerido que as diferenças de cor se devem à translucidez do esmalte, de tal modo que dentes amarelos tem esmalte fino e translúcido, através do qual a cor amarela da dentina é visível e dentes acinzentados possuem um esmalte mais opaco.

Propriedades químicas

O esmalte consiste principalmente de material inorgânico (96%) e somente uma pequena porcentagem de material orgânico e água (4%). O material inorgânico do esmalte é semelhante a um mineral denominado apatita [3Ca3(PO4)2.2NaX] sendo que X pode ser cloreto (Cl-), fluoreto (F-) ouhidróxido (OH-).

A natureza orgânica do esmalte é protéica e semelhante à queratina (proteína que recobre a pele dos vertebrados).
O espaço relativo ocupado pela armação orgânica e o esmalte completo é quase igual. A figura ao lado ilustra esse fato, pela comparação entre uma pedra e uma esponja de tamanhos aproximadamente iguais. A pedra representa o conteúdo mineral, e a esponja representa a armação orgânica do esmalte. Embora seus tamanhos sejam quase iguais, seus pesos são muito diferentes. A pedra é 100 vezes mais pesada que a esponja, ou expressando em porcentagem, o peso da esponja é quase que 1% do peso da pedra.


Estrutura

Da mesma forma que uma parede é formada por tijolos o esmalte dental é formado por prismas ou bastões. Na constituição do esmalte entram também bainhas dos prismas e, em algumas regiões, uma substância interprismática cimentante.
O prisma é o componente mineral do esmalte e as demais formações são orgânicas.
Os prismas cobrem toda a espessura do esmalte desde o limite com a dentina até a superfície coronária e se dispões num trajeto oblíquo e ondulado de forma que o comprimento de um prisma é maior que a distância do limite da dentina até a superfície.
É aceito que o diâmetro médio dos prismas é de 4 micra (4 milésimos de milímetros), mas esta medida varia uma vez que a superfície do esmalte junto à dentina é menor que no lado externo.




Embora muitas áreas do esmalte humano parecem conter prismas envolvidos por bainhas dos prismas e separados por uma substância interprismática, um modelo mais comum é um prisma em forma de ‘buraco de fechadura’ quando cortados longitudinalmente (figura ao lado).
A parte circular mais volumosa do prisma é denominada ‘cabeça do prisma’ e a parte mais estreita, ‘cauda do prisma’.




As figuras abaixo mostram essas imagens características ao microscópio eletrônico.




Acima: a figura 1 representa os prismas em corte transversal e a figura 2. em corte longitudinal; B representa a ‘cabeça ou corpo’ dos prismas e A, a ‘cauda’ (confronte a figura 1 com o desenho dos prismas mais acima).


DENTINA

Propriedades físicas

Nos dentes de indivíduos jovens, a dentina tem uma cor amarelo-claro. Ao contrário do esmalte, que é muito quebradiço, a dentina está sujeita a deformações leves. E é altamente elástica. É algo m,ais dura que o osso, mas mais mole que o esmalte.

Propriedades químicas

A dentina consiste de 30% de matéria orgânica e 70% de material inorgânico. A substância orgânica é constituída fundamentalmente de fibras colágenas (um tipo de proteína fibrosa) e mucopolissacarídeos. A porção mineralizada é composta de cristais de apatita como no osso, cemento e esmalte. Cada cristal de hidroxiapatita é composta por milhares de unidades. Cada unidade tem a fórmula química 3Ca3(PO4)2,Ca(OH)2. Os cristais são descritos em forma de placas e muito menores do que os do esmalte.

Estrutura


Apesar de ser menos resistente do que o esmalte, a dentina tem a particularidade de ser mais desenvolvida porque encontra-se na coroa e na raiz do dente, formando como que o fuste dentário sobre o qual repousam o esmalte e o cemento.


Além do mais a dentina limita uma cavidade onde se aloja a polpa dentária. Essa cavidade denomina-se cavidade pulpar ou dentária.
A figura ao lado mostra a cavidade pulpar e é possível perceber que esta descreve quase que perfeitamente a morfologia externa do dente.

As células que produzem a dentina são denominadas odontoblastos e estão localizadas em torno da polpa junto à parede de dentina em forma de paliçada como se fosse um epitélio. Estas células emitem prolongamentos citoplasmáticos para dentro dos milhões de túbulos que percorrem a dentina em toda a sua extensão e espessura.


A figura abaixo mostra uma fotografia da imagem microscópica da dentina costada transversalmente onde se pode notar a abundância dos túbulos dentinários onde a parte da direita representa a parte da esquerda em maior aumento.



Da superfície da cavidade pulpar até o esmalte (se for dentina coronária – que forma a coroa) ou cemento (se for dentina radicular – que forma a raiz) o trajeto dos túbulos dentinários é algo curvo e lembra a forma de um S.
A relação entre as áreas de superfície no lado externo e interno da dentina é cerca de 5:1. Conseqüentemente os túbulos estão mais separados nas camadas periféricas e mais justapostos nas camadas mais internas.
Além disso eles são mais largos perto da superfície pulpar (3 a 4 micra – milésimos de milímetro) e se tornam mais estreitos em sua em suas extremidades externas (1 mícron). O número de canalículos perto da cavidade pulpar da dentina é variável e está entre 30 000 e 75 000 por mm2. Há mais túbulos por unidade de área na coroa que na raiz. Cada túbulo tem mais ou menos 1 mícron de diâmetro.

Dentro deste canalículos encontra-se também prolongamentos de células nervosas o que explica a alta sensibilidade da dentina.
Afibracola



Para que o leitor possa fazer uma melhor idéia do teor de substância orgânica na matriz dentinária a figura ao lado é a imagem ao microscópio eletrônico de varredura de um corte transversal do canalículo e mostra a disposição irregular das fibras colágenas calcificadas ao redor dos canalículos.  (aumento de 15 000 vezes).  


POLPA


A cavidade dentária (pulpar), com suas porções coronária e radicular, contém o tecido mole do dente, a polpa dentária. Ambas as porções da cavidade pulpar são limitadas pela dentina, a qual vai, durante a evolulção normal do dentes, determinar a diminuição progressiva desta parte cavitária do dente.




Na figura acima, a parte escura interna ao dente tanto representa a cavidade pulpar como a polpa dentária. A parte desta cavidade que ocupa a coroa do dente é denominada câmara pulpar (ou coronária); e a parte que ocupa o interior das raízes, canal radicular. O canal radicular se abre na região do ápice da raiz através de um orifício chamado forâmem radicular, cujo diâmetro varia entre 0,3 foramemvanera 0,4 mm . É pelo forâmem que entram, para dentro da cavidade pulpar, os vasos e nervos que vão irrigar e enervar a polpa (figura ao lado).


O teto da câmara coronária corresponde à face oclusal dos pré-molares e molares ou à borda incisal dos dentes anteriores. Esta parte caracteriza-se pela presença de depressões que nos moldes surgem como elevações correspondentes às cúspides ou às bordas incisais. Cada prolongamento pulpar, ou corno pulpar, comunica-se amplamente com a cavidade central; e acompanha (o corno pulpar) o maior ou menor aguçamento da cúspide. Se há desgaste nas pontas das cúspides ou bordas incisais, o mesmo acontece com as pontas dos cornos pulpares, devido à formação de novas camadas de dentina destinadas a compensar o desgaste exterior. Os cornos pulpares são tantos quanto as cúspides.



Evolução das cavidades pulpares



O tamanho da câmara pulpar e o calibre dos canais radiculares sofrem influência da idade do dente, da sua atividade funcional e da sua história clínica. A deposição de dentina é contínua até o dente atingir o seu tamanho normal. Esta recebe o nome de dentina primária.
Entretanto, devido aos fatores apontados, decorrentes da própria evolução dos dentes e do indivíduo, novas camadas de dentina são depositadas sobre a dentina primária, as quais podem ser divididas em dentina secundária e dentina esclerosada.

A dentina secundária forma-se em condições normais, constantemente, devido à atrição que as faces dentárias sofrem na mastigação; ou então, em condições patológicas. 
Assim pode-se dividir a dentina secundária em dois tipos:

a) dentina secundária fisiológica
b) dentina formativa ou reparadora

a)     A dentina secundária fisiológica vai se depositando sobre a dentina primária, quer na câmara coronária, quer no canal radicular, acompanhando a evolução do dente e, ao mesmo tempo, modificando o volume dessas cavidades. Esta deposição dentinária serve para manter sempre uma certa distância entre a superfície do dente e a polpa do órgão.
b)    A dentina reparadora forma-se secundariamente a processos patológicos que incidem sobre o dente, tais como erosão, cárie, briquismo ou irritação por certas substâncias irritantes. Enquanto que a dentina reparadora é semelhante à primária, esta é desorganizada.

A imagem abaixo realça estes dois tipos de dentina.

Quer a neoformação dentinária se faça fisiológica ou reparativamente, a tendência geral da câmara coronária é reduzir-se a ponto de desaparecer completamente. Quando isso acontece o dente permanece vitalizado somente graças aos tecidos vizinhos ao redor do dente (periodonto).

dentinaesclepng


c) A dentina esclerosada ou transparente pode surgir em qualquer outro tipo de dentina e em qualquer parte do dente.Caracteriza-se por ser translúcidas e apresentar alto grau de mineralização. Sendo mais mineralizada que a dentina primária, a dentina esclerosada torna-se mais transparente, à semelhança do esmalte. Ela é muito presente em lesões cariosas ou erosões dentárias acentuadas, mas parece estar relacionada com a idade, pois aparece mais em dentes de velhos. As setas vermelhas da figura ao lado mostram como aparece a dentina esclerosada quando colocada em cima de uma grelha.





Normalmente as pessoas tem um total de 52 órgãos pulpares, 32 nos dentes permanentes e 20 nos decíduos. Cada um destes órgãos tem, evidentemente, uma forma que coincide com a cavidade pulpar. Eles tem numerosos características morfológicas que são similares. O volume total de todos os órgãos pulpares nos dentes permanentes é 0,38 cm3 e o volume médio de cada polpa humana adulta é 0,02 cm3. As polpas dos molares são três ou quatro vezes maiores que as dos incisivos. A figura abaixo representa a morfologia das polpas dos dentes permanentes.



polpa é um tecido mesenquimal  que contém, inclusive, células tronco e é – a polpa - de grande potencialidade formadora de dentina. As células que produzem a matriz dentinária são os odontoblastos cujos corpos celulares estão na cavidade pulpar lado a lado forrando as paredes desta cavidade. Embora o corpo celular esteja, portanto, dentro da cavidade pulpar e, portanto, na polpa, estas células emitem prolongamentos citoplasmáticos que adentram os canalículos dentinários. Portanto os odontoblastos estão presentes na polpa (corpo) e na dentina (prolongamentos citoplasmáticos).
Entretanto lembremos que no dente adulto essa capacidade de neoformação difere quando se considera a função normal do dente (formando dentina primária) ou os processos patológicos que podem afetar a superfície dentária (dentina secundária).
Estruturalmente, a polpa caracteriza-se pela presença de tecido conjuntivo frouxo(que é um tecido mole) rico em células onde se destacam os fibroblastos, vasos,nervos e os odontoblastos.
A polpa desempenha quatro funções importantes: formadora de dentina,nutridorasensorial e protetora.
  


função nutridora toma-se importante no dente adulto porque ela mantém os componen­tes orgânicos embebidos em substâncias vitalizadorasalém de fornecer a nutrição indispensável à vida dos odontoblastos.

função sensorial corre por conta de suas fibras sensitivas (fibras aferentes somáticas) que dão a sensibilidade característica da polpa e da dentina, graças aos prolongamentos dos odontoblastos. Ao lado destas fibras sensitivas, existem fibras motoras (fibras eferentes viscerais) para a musculatura lisa dos vasos pulpares, con­trolando o fluxo sangüíneo na cavidade dentária.

função protetora evidencia-se nos processos in­flamatórios que atingem a polpa: formam-se exsu­datos que aumentam a pressão intradentária e, conseqüentemente, comprimem os filetes nervosos, aparecendo o sintoma dor.


CEMENTO 

  
O cemento é o tecido dentário mineralizado que cobre as raízes anatômicas dos dentes humanos. Começa na porção cervical do dente, na junção cemento-esmalte, e se continua até o ápice. O cemento fornece um meio para a inser­ção das fibras colágenas, que ligam o dente às estruturas circundantes. É um tecido conjuntivo, especializado, que tem em comum algumas características físicas, quími­cas e estruturais com o osso compacto. Ao contrário do osso, entretanto, o cemento humano é avascular.
A dureza do cemento completamente mineralizado é menor do que a da dentina. O cemento tem uma cor amarelo-clara, e pode ser distinguido do esmalte por sua falta de brilho e seu tom mais escuro. O cemento é ligeiramente mais claro do que a dentina. A diferença na cor, entretanto, é pouca, e sob condições clínicas não é possível distinguir o cemento da dentina, baseado somente na cor. Sob condi­ções experimentais, o cemento tem sido mostrado como sendo permeável a uma variedade de materiais.
Baseado no seu peso seco, o cemento de dentes permanentes completamente formados contém cerca de 45 a 50% de substâncias inorgânicas e 50 a 55% de material orgânico e água.
porção inorgânica consiste principalmente de cálcio e fosfato na forma de hidroxiapatita. Numerosos traços de elementos são encontrados no cemento em quantidades variáveis. É interessante notar que o cemento, de todos os tecidos mineralizados, tem o mais alto conteúdo em fluoretos.
porção orgânica do cemento consiste principalmente de colágeno e proteínas conjugadas a polissacarídeos. Analises dos aminoácidos do colágeno obtido de cemento de dentes humanos indicam intimas semelhanças aos do colágeno da dentina e osso alveolar. A natureza química das proteínas conjugadas aos polissacarídeos ou substancia fundamental do cemento é virtualmente desconhecida.
Ao microscópio distingue-se duas porções no cemento: cemento celular ecemento acelular. A diferença está em que na porção celular a matriz mineral incorpora as suas células típicas – os cementócitos. Na porção acelular os cementócitos permanecem no ligamento alvéolo-dentário rente ao cemento.

O cemento é o tecido dentário mineralizado que cobre as raízes anatômicas dos dentes humanos. Começa na porção cervical do dente, na junção cemento-esmalte, e se continua até o ápice. O cemento fornece um meio para a inser­ção das fibras colágenas, que ligam o dente às estruturas circundantes. É um tecido conjuntivo, especializado, que tem em comum algumas características físicas, quími­cas e estruturais com o osso compacto. Ao contrário do osso, entretanto, o cemento humano é avascular.
A dureza do cemento completamente mineralizado é menor do que a da dentina. O cemento tem uma cor amarelo-clara, e pode ser distinguido do esmalte por sua falta de brilho e seu tom mais escuro. O cemento é ligeiramente mais claro do que a dentina. A diferença na cor, entretanto, é pouca, e sob condições clínicas não é possível distinguir o cemento da dentina, baseado somente na cor. Sob condi­ções experimentais, o cemento tem sido mostrado como sendo permeável a uma variedade de materiais.
Baseado no seu peso seco, o cemento de dentes permanentes completamente formados contém cerca de 45 a 50% de substâncias inorgânicas e 50 a 55% de material orgânico e água.
porção inorgânica consiste principalmente de cálcio e fosfato na forma de hidroxiapatita. Numerosos traços de elementos são encontrados no cemento em quantidades variáveis. É interessante notar que o cemento, de todos os tecidos mineralizados, tem o mais alto conteúdo em fluoretos.
porção orgânica do cemento consiste principalmente de colágeno e proteínas conjugadas a polissacarídeos. Analises dos aminoácidos do colágeno obtido de cemento de dentes humanos indicam intimas semelhanças aos do colágeno da dentina e osso alveolar. A natureza química das proteínas conjugadas aos polissacarídeos ou substancia fundamental do cemento é virtualmente desconhecida.
Ao microscópio pode-se distinguir dois tipos de cemento: um em que as células típicas – os cementócitos – estão incluídos dentro de lacunas na matriz calcificada que é o denominado cemento celular; e outro tipo em que oscementócitos não estão incluídos na matriz calcificada do cemento, mas permanecem rente a ele imersas no ligamento alvéolo-dentário e que é denominado cemento acelular.
O cemento acelular pode cobrir a dentina radicular, desde a junção cemento­-esmalte até o ápice, mas está muitas vezes ausente sobre o terço apical da raizAqui o cemento pode ser inteiramente do tipo celularO cemento é mais delgado na junção cemento-esmalte (20 a 50 micra) e mais espesso perto do ápice (150 a 200 micra). O forâmen apical é circundado por cemento. Algumas vezes o cemento se estende até a parede interna da dentina por uma curta distância, e assim é formado um revesti­mento do canal radicular.
Funcionalmente, o cemento é importante por causa da fixação que dá ao dente no seu alvéolo (o ligamento alvéolo-dentário possui fibras colágenas quwe se inserem no cemento e no osso alveolar fixando a raiz no alvéolo), além de per­mitir o aumento compensador da raiz pela perda de material dentário durante o desgaste natural e, por último, contribui para que o dente possa con­tinuar a sua erupção oclusal mais ou menos uni­forme.

A junção esmalte-cemento

Sendo recoberta pelo esmalte na coroa e pelo cemento na raiz, a dentina pode, entretanto, ser observada ao nível do colo dentário, na cha­mada junção cemento-esmalte onde os dois re­vestimentos dentinários encontram-se, um revestin­do o outro ou tocando-se apenas por suas extremi­dades. Quando isto não acontece, o esmalte e o cemento não entram em contato, ficando assim exposta a dentina, dando ao dente grande sen­sibilidade ao nível do colo. Nestes casos, menos freqüentes, a dentina entra em contato direto com o revestimetno epitelial da gengiva que se insere ao colo dentário e que é conhecido, clinicamente, comoinserção epitelialEstas quatro possibilida­des de junção cemento-esmalte estão representa­das na figura abaixo.



Na figura acima temos: E – esmalte; D – dentina; C – cemento. Na figura 1 o esmalte e o cemento se tocam topo a topo. Na figura 2 o esmalte recobre a dentina. Na figura 3 o cemento recobre a dentina. Na figura 4 o esmalte e o cemento deixam um espaço de dentina exposta que é causa de extrema sensibilidade.